Comunicação e igualdade de gênero: por que precisamos falar disso

A igualdade de gênero é um dos muitos desafios que a mulher ainda enfrenta todos os dias, e ele não exclui a comunicação. Muito pelo contrário, a comunicação deixa clara a violência e o preconceito que a mulher sofre todos os dias.

igualdade-de-gênero

igualdade de gênero

Seja através de piadinhas ou brincadeiras, as propagandas machistas começaram a ser criticadas por pequenos grupos feministas e ativistas. E, aos poucos, isso está gerando uma reação na sociedade.

Com o alastramento das informações e formação de coletivos feministas proporcionados pelas redes sociais, especialistas em publicidade e gênero afirmam que a sociedade passou a ser mais sensível às temáticas relacionadas aos direitos humanos, algo que se reflete diretamente na maneira como a publicidade trata a figura da mulher.

igualdade de gênero

As pessoas estão começando a entender os desafios da mulher e se atentando mais à objetificação da mulher e às mensagens subliminares – ou nem tão subliminares assim – que reforçam estereótipos.

Então, que tal nós, responsáveis pela comunicação, ajudarmos a libertar as mulheres de padrões e ideais, ao abraçar a igualdade de gênero de um jeito verdadeiro, palpável e honesto?

igualdade de gênero

Mas por que?

#1 Questão social

Quando percebemos que todo o problema da comunicação é apenas o reflexo da sociedade, a importância dessa discussão e mudança está em influenciar de forma positiva o comportamento dos homens em relação às mulheres no dia a dia, em casa e no trabalho.

igualdade de gênero

Precisamos olhar para as questões de gênero com mais seriedade. Afinal, uma empresa de comunicação deveria lançar um olhar mais crítico no que diz respeito à transmissão de mensagens estereotipadas sobre as questões de gênero nas mídias e capacitar os profissionais para a produção e edição de conteúdos que contribuam para eliminar essa desigualdade.

A Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, Magali Cunha, disse em entrevista para a Universidade Metodista de São Paulo em 2016, que “as desigualdades presentes nos processos de comunicação entre mulheres e homens são reflexo das desigualdades que vivemos nos mais diversos espaços da sociedade. Carecemos de mais incentivo, reflexão e estudo”.

#2 Questão de empatia

Vivemos a era da empatia e, para conquistá-la, precisamos tornar genuíno o comprometimento e a comunicação das marcas, além de atender as necessidades de um público que busca representatividade e compreensão.

igualdade de gênero

Em 2013, um estudo apontou que 65% das mulheres não se identificavam com a forma como eram retratadas pela publicidade. Isso porque muitas campanhas fazem uso de estereótipos de gênero nocivos às mulheres, que podem passar despercebidos porque já estão normalizados socialmente.

A mulher ruim no volante, a que só se interessa em compras e coisas supérfluas, a heterossexual que faz tudo por um homem, a responsável pela casa, a recatada e do lar e outras caricaturas reforçam prisões femininas e perpetuam desigualdade.

A caminho da igualdade de gênero

Um olhar mais apurado é muito importante se quisermos falar de marcas realmente comprometidas em beneficiar as mulheres e contribuir para um mundo de mais igualdade entre os gêneros.

igualdade de gênero

Esse ano, inclusive, indo em direção à essa nova onda da comunicação, duas premiações, Andy Awards e Advertising Club de Nova York, pediram que as premiações da indústria excluam trabalhos que reforcem a desigualdade entre os gêneros.

E o Cannes Lions concordou em alertar os jurados a não reconhecerem trabalhos que objetifiquem ou perpetuem mensagens negativas relativas a gênero.

A ação foi impulsionada por uma petição iniciada por Madonna Badger, CCO da Badger & Winters, na edição passada de Cannes. A profissional também reforçou o coro em torno do debate sobre igualdade de gênero ao longo de 2016 com o movimento #WomenNotObjects. E esse foi o vídeo da campanha que viralizou na internet:

Esse é só o começo da discussão. Mas tomar consciência dos problemas da sociedade e comunicar com respeito e promovendo igualdade é o caminho para um mundo melhor, não acha?

Sobre o autor

Luanna Hedler

Jornalista por formação, Social Media por profissão e Dançarina por paixão. Tem uma risada muito engraçada e olhos da cor do céu.

Gostou deste artigo?
Então assine nossa newsletter e receba nosso conteúdo especial e GRÁTIS.